18/11/2009

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21/06/2009

Buzinar num semáforo

Finalmente descobri a razão de acontecer a situação que abaixo descrevo.

Eu e alguns outros seres humanos estávamos, cada um ao volante do seu automóvel, em fila de espera, aguardando para que o semáforo se transformasse em verde. E os segundos passaram até que, por fim, a luz verde acendeu. No milésimo de segundo que sucedeu ao acender do verde, o condutor de uma viatura que se situava uns metros atrás de mim, buzinou alertando os outros que o verde se havia acendido.

Antes de ser iluminado pela descoberta que fiz, pensei que quem emitisse um sinal sonoro deste tipo seriam pessoas impacientes que dificilmente entendem que nem toda a gente está a competir com a luz verde para saber quem ganha: se é a luz verde a acender ou se é a buzina a apitar. Devo dizer, em tom de apontamento, que a luz verde ganha sempre porque não precisa de ouvir a buzina para se acender, enquanto que a buzina precisa de ver a luz verde a acender para apitar.

No interregno que se seguiu à buzinadela o óbvio apoderou-se da minha mente: os condutores que buzinam logo que se acende o verde fazem-no com um propósito. Eles são os servos das pessoas que se posicionam no primeiro lugar da fila (aquele que mais próximo está do semáforo). Desta forma, o amo não precisa de estar atento à mudança de cor, pois ele tem servos que se encarregam dessa função avisando-o com uma buzinadela. E, espantosamente, é de saudar a qualidade da acuidade visual dos servos pois, ainda mal a luz verde teve tempo de ficar verde e já estes avisam o seu senhor que o semáforo deu autorização para prosseguir viagem. Julgo que esta classe conduz com uma das mãos sobre a buzina para que se possa minorar o mais possível o tempo de resposta ao acender do verde.

06/06/2009

Eu, o turista e o contentor de lixo

Apostei com um turista que deambulava pelas proximidades em como conseguia ser o primeiro a colocar o pauzinho do gelado (ambos tínhamos estado a lamber um) no contentor de lixo que ficava ali ao fundo da rua. Salienta-se o turista não se fazer acompanhar por um receptor GPS, caso, em vez do turista estrangeiro, fosse um tuga (turista ou não-turista) este far-se-ia acompanhar por uma geringonça GPSiana, para que pudesse colocar o endereço do contentor do lixo no dito receptor não só para o localizar como também para evitar que se perca errando por aí (“errar” do grego). Mas adiante. Estávamos eu e o turista com o pauzinho na mão em posição de partida quando a musa que também por ali estava deu o sinal de partida. Como a musa também era estrangeira, este sinal foi um “Go!” (ela falou em inglês porque é a língua internacional). Se, em vez dela, tivesse sido um cidadão nativo destas regiões lusitanas, o sinal de partida poderia ser uma vasta cuspidela verde para cima de um eléctrico enquanto uma família de turistas estrangeiros observaria o acontecimento. Sinal de partida dado e lá fomos eu e o turista e o turista e eu a percorrer o mais velozmente possível os 152 metros que nos separavam do contentor em causa. Por duas vezes o meu adversário foi atropelado na mesma passadeira que tínhamos que atravessar. Eu consegui desviar-me dos carros porque tenho já uma certa prática em utilizar as passadeiras para atravessar as ruas. Um pouco mais à frente, dois ou três bandidos foram ao bolso do turista e levaram-lhe a carteira sem que este se tivesse apercebido. Eu virei a cara e fingi que não vi porque, além de não estar interessado em receber retaliações daqueles funcionários do crime, qualquer queixa que fizesse às autoridades competentes deveria quase certamente ser arquivada antes de chegar a um término justo (não estou a difamar o trabalho dos agentes da autoridade). E a corrida lá continuou, ora eu à frente, ora ele à frente. Já perto do contentor, quando me preparava para dar um golpe de mestre na minha corrida para a vitória reparei, para minha grande surpresa, que a tampa do contentor estava fechada, posição contrária à de muitas vezes. Note-se que a tampa do contentor aberta permite a execução de um divertido jogo chamado “fazer pontaria com o lixo” por parte de alguns habitantes. Alguns deles até têm boa pontaria e acertam no alvo. Mas, terror dos terrores, a tampa estava fechada e o turista já estava a correr mais rápido do que eu. Pensei então no plano B que trata do local alternativo no qual os sacos de lixo são deixados: empilhados ao lado do contentor de lixo numa pilha de fazer inveja a qualquer magnata do lixo. Pensei também em fazer uma placagem ao turista atirando-o ao chão (este seria o plano C). O plano D seria levá-lo a visitar a residência oficial do Presidente da República e o Ministério das Finanças (claro que só ia o turista; eu continuaria a correr). Também havia um plano E mas esqueci-me do que consistia. Talvez se eu fizesse figura de parvo a correr e a dar saltinhos idiotas para a frente e para trás enquanto aprendia a dançar o Lago dos Cisnes, o turista se distraísse comigo achando que eu seria uma atracção de rua e eu ainda ganharia uma ou duas moedas pela minha actuação. E o contentor cada vez mais perto, tão perto que o odor já chegava a estes dois competidores.

02/06/2009

Em torno do baptismo católico

Ainda na maternidade e no berço que marca o Solstício de Inverno, o Bebé Pedro vira-se para o Bebé do Lado e diz-lhe "Vamos faltar ao compromisso que nos espera". O Bebé do Lado estava a dormir e não ouviu bem e pede ao Bebé Pedro para repetir e este, pela segunda vez, diz "Vamos faltar ao compromisso que nos espera". "O que dizes?" pergunta o Bebé do Lado. "Vamos faltar ao compromisso que nos espera".

O Bebé do Lado, sem pestanejar, aceita a ordem do Bebé Pedro e inicia-se um passa-palavra entre os bebés que por ali se quedam. Um passa-palavra que é corrido longe dos olhares e audições das pessoas de bata branca que dependem do nascimento de bebés para a sua sobrevivência.

Mas o Bebé do Lado quer saber mais e pergunta ao Bebé Pedro por que razão devem faltar ao tal compromisso ao que o seu mestre lhe responde "Que direito têm os de bata branca e as pessoas que nos geraram de decidir por nós?". "Mas mestre", continua o Bebé do Lado, "conta-se por aí que nós, bebés, não temos capacidade de decidir e que, por isso, há alguém que intercede por nós". "Ouve-me, Bebé do Lado, escuta as minhas palavras: Deverá o guerreiro vencer o seu adversário quando este já se encontra prostrado pelo chão (vítima de um outro combate) ou deverá o guerreiro estender-lhe a mão, ajudá-lo a levantar-se e, só após isso, cruzarem as suas espadas e machados?"

"Deixas-me um pouco confuso, mestre. Pretendes guerrear contra os que nos criam e nos fazem parir?"

"Não necessariamente, caro companheiro. Não ouviste tu que o guerreiro se recusa a vencer o seu semelhante enquanto este se prostrar pelo chão?"

"Assim foi".

"E não te parece que o guerreiro, estando ele numa posição de supremacia, se tornaria num vencedor sem honra?"

"Absolutamente".

"E não crês que estando o outro estendido pelo chão se mostra com uma postura inferiorizada, tornando-se num vencido a quem não foi dada a possibilidade de se defender?"

"Com certeza".

"Então vem. Vem comigo, traz os outros e vamos para fora desta caverna".

01/06/2009

O Homo Sapiens Sapiens e a atmosfera

Veja-se este entre muitos outros exemplos à escolha: a destruição que está a ser feita à atmosfera que rodeia o planeta Terra. Para quem não sabe, o planeta Terra é aquele em que habitamos. Também para quem não sabe, o Homem respira a atmosfera do planeta Terra. Ora, sabemos desde há algum tempo, que esta mesma atmosfera, a mesma que respiramos e que precisamos para viver, está-se a deteriorar e que, a continuar assim, daqui a algum tempo não haverá atmosfera para respirar o que é o mesmo que dizer que finalmente o Homem conseguiu concretizar o objectivo que desejava. Mas o problema é ainda mais grave. Volta e meia (ou mais meia do que volta) ouve-se algum indivíduo importante dizer que temos que fazer alguma coisa para acabar com a destruição desse ar respirável, mas de nada serve porque continua-se na mesma situação (acentuo o "-se") e deixam o problema para ser resolvido pelas próximas gerações, o que até é bem pensado (da parte de quem estraga, claro) já que quem estraga já não vai precisar de ter ar para respirar quando não houver ar respirável (ou será que vai?), portanto, “os outros que aí vêm tratam do problema que não vai ser meu” (não seria má ideia começar a investir em Homo Sapiens Sapiens que respirem dióxido de carbono, por exemplo, ou resistentes a um certo tipo de “coisas” emitidas pelo Sol).

É claro que percebo que esses indivíduos sapientes e que até sabem a sabedoria tenham coisas importantes em que pensar e que fazer tais como saber que personagem da novela é o vilão, ter 15 minutos de fama, aparecer na televisão a falar ao telemóvel, entregar os excedentes de comida aos insectos, criar reservas naturais onde até se pode construir empreendimentos turísticos e dos outros… Por falar nisso, até que era boa ideia vender “15 minutos de fama” nos supermercados (estaria na secção ao lado dos congelados). E na compra de "15 minutos de fama" o feliz enfamado temporário poderia (através de sorteio) auferir da degustação atmosférica de um pouco de sujidade aérea. Já me estou a imaginar num paraíso a tragar violentas inspiradelas levando o ar a percorrer as entranhas do meu corpo. E até adaptaria um ritmo respiratório para melhor efectivar a doçura carbónica que se apoderaria de mim. Depois, motivado pela experiência, fundaria uma agência de viagens apenas com o intuito de criar um pacote especial destinado a quem pretendesse usufruir de uma experiência semelhante. E até comprava toda a atmosfera terrestre para monopolizar o comércio nessa área. E cobrava taxas por poluírem aquele que, por direito, é o meu espaço. Levantava limites de poluição aos agentes poluidores (que um ou outro poderá ultrapassar desde que o faça porque sim).

Homo Sapiens Sapiens? Sapiens ???

25/05/2009

O popó grande

Uma avó acompanha o neto e um neto acompanha a avó e a avó diz ao neto depois deste se ter posto a coberto da esquina de um edifício, ocultando tudo quanto pode ser perigoso para a existência da criatura menor: Cuidado que vem aí um popó grande.

O resto do acontecimento não presenciei porque eu apenas estava de passagem, portanto desconheço se alguém foi atropelado.

“Popó grande” é sinónimo de autocarro, mas não um daqueles autocarros de tamanho normal e que reconhecemos como um autocarro de tamanho normal. Este popó grande era um autocarro daqueles concebidos para atravessar as estreitas ruas dos bairros mais antigos e que são do tamanho de um autocarro concebido para atravessar as estreitas ruas dos bairros mais antigos. E o malvado autocarro lá vinha intentando colocar em perigo a existência do menino. E mesmo que a avó se interpusesse entre o veículo e a criança objectivando a defesa desta, entregando-se, assim, aos confins do destino, o autocarro sairia vencedor do combate.

Desta pequena história levanta-se uma questão pertinente: nós deveríamos ser atropelados por uma viatura que se coadunasse com o nosso tamanho. Desta maneira, uma criança em idade pré-escolar (uma idade que engloba várias idades) deveria ser atropelada por um triciclo ou por uma bicicleta, um adolescente passaria para o nível seguinte (uma scooter parece-me bem) e assim por diante. Mas atenção que esta divisão etária é apenas um exemplo, o que de facto interessa é o tamanho da matéria densa de uma pessoa, isto é, quanto mais alta ou mais massiva for uma pessoa, maior é o veículo que o atropelará. Para os maiores de todos um super-petroleiro será suficiente.

14/05/2009

O capacho bem-vindo

Apraz-me tremendamente escrever sobre os capachos de entrada que nos cumprimentam com um “Bem-vindo”. É nesses simpáticos e educados capachos que nós limpamos a sujidade que trazemos colada às solas do nosso calçado. Tal situação lembra-me uma agradável cena em que uma pessoa simpática e educada nos diz “bem-vindo” e nós respondemos com um bofetão na boca dessa pessoa por ela nos ter dirigido aquelas palavras tão ameaçadoras.

Porque é que os donos de uma casa que tem um capacho bem-vindo se sujeitam a que os visitantes (supostamente bem-vindos) limpem a sujidade e outras coisas à hospitalidade que lhes é oferecida? Com isto, o visitante está-se perfeitamente a borrifar para a hospitalidade do visitado e do seu capacho. O indicado seria o visitante libertar-se da sujidade num outro capacho colocado estrategicamente (e que não fosse decorado com um bem-vindo) antes do capacho bem-vindo para que quando as solas do calçado do visitante acariciassem o capacho educado já se mostrarem límpidas e puras, sem trazer em si os males de calcar as ruas e caminhos percorridos. Ora, esta situação tem, claro está, uma desvantagem. O capacho bem-vindo perderia a sua função. Toda a sua razão de viver ruiria porque um capacho serve para ser um capacho. Dificilmente um capacho se tornará num agradável tapete da sala. Logo, deixaria de haver capachos bem-vindo e quem compra capachos bem-vindo deixaria de ter capachos bem-vindo para comprar sujeitando-se à não-compra de um capacho bem-vindo.

Mas com jeitinho consegue-se limpar a sujidade às áreas do capacho que não estão cobertas pelas letras do “bem-vindo” como, por exemplo, a zona que fica por cima do “bem” ou o pequeno espaço que se abre entre o D e o O de “vindo”.

20/04/2009

Proibido vazar entulho

Um pouco por todo o lado existem tabuletas onde se lê “Proibido vazar entulho” o que significa que se pode vazar entulho em todos os locais excepto onde assinalado. Já me perguntei a mim próprio por que razão há entulho a orbitar a tabuleta que diz que é proibido vazar entulho, mas a resposta permanece no mais puro dos desconhecimentos. E até levanta isto uma questão pertinente: terá o entulho sido vazado em tempos anteriores à colocação da tabuleta ou terá surgido a tabuleta em primeiro lugar trazendo consigo, posteriormente, o entulho ao qual se ordena a proibição?

Segundo o Priberam (http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx), “entulho” é “um montão de fragmentos que resultam de uma demolição ou desmoronamento”. O meu analisar analítico e cuidado dos vários objectos que circundam a tabuleta que tem vindo a ser tida como ponto de partida deste escrito, concluiu que entulho é tudo aquilo que o entulhante quiser, desde sacos de plástico de variadas cores e supermercados, até tijolos e cimento, passando por objectos que dificilmente pertenceram outrora a alguma coisa. Talvez o local marcado pela tabuleta seja um vórtice através do qual surjam coisas e, desta forma, poder-se-ia alterar a tabuleta para “Local de surgimento de coisas”. As coisas brotam ali naquele sítio.

Espectacularmente, estas tabuletas encontram-se sempre à beira das estradas, não que eu alguma vez tenha atravessado extensas áreas exceptuadas de estradas em busca de uma tabuleta. Isto deve ter como objectivo avisar os condutores e demais ocupantes do meio de transporte que se está perante um local onde não se pode vazar entulho e outras coisas. Assim, quem usufruir da janela para se libertar de detritos de vários tipos que se tenham formado ao longo da viagem de automóvel pode, ao passar por uma tabuleta, fazer pontaria intentando acertar em todos os locais que a vista alcança excepto os limítrofes da tabuleta. É claro que os locais que se situam no interior da viatura não contam para este estudo. Consegue-se descobrir com isto quem tem boa pontaria. Os que a têm afinada acertam com os restos em todas as áreas excepto a da tabuleta, os outros enviam os detritos para os arredores da mesma. Seria de interesse público (ou até privado ou tanto faz) a criação de um sistema de pontos atribuídos a quem largasse em consciência (ou com a falta dela) detritos pela janela do automóvel. Neste sistema, a pontuação máxima seria atribuída às pessoas que conseguem fazer lançamentos para o mais próximo possível da tabuleta. Seria necessário colocar sensores destinados a averiguar este género de acção. Far-se-ia um concurso periodicamente e o prémio seria um emprego designado por “Homem que coloca tabuletas”. O vencedor do concurso, agora homem (ou mulher) que coloca tabuletas teria que colocar as ditas num local propício à criação de entulho.

26/03/2009

Pontapear uma esplanada

Como sou uma pessoa que está adaptada aos tempos que correm, reciclo o papel, o metal, o vidro, o plástico e também deixo que o meu carro polua a atmosfera que respiro e estava eu de volante em punho exercendo o meu direito de tornar o ar um pouco mais irrespirável quando fui assaltado por uma ideia que, a meu ver, iria alterar para sempre o nível de poluição que graça pelo nosso planeta.

Essa tão maravilhosa ideia consistia em pontapear violentamente cada uma das mesas e cadeiras que se encontram nas esplanadas dos cafés e noutros estabelecimentos similares e tem isto uma razão de ser: quando pontapeados estes objectos ganham um impulso que lhes permite avançar pelo espaço que se abre à sua frente e não fosse o atrito, a mesa e a cadeira poderiam percorrer longos percursos em linha recta. Mas como eu tinha como objectivo colocar para além da órbita da Terra cada uma das mesas e das cadeiras seria indispensável um impulso tal que resultasse numa velocidade igual ou superior à necessária para haver a libertação da força da gravidade do planeta Terra. Sabendo eu que a velocidade de escape deste planeta é de 11,2 km/s, fiz umas contas rápidas e deduzi que seria preciso mesmo muita força no pontapé.

Para os que ainda não tiveram a felicidade de se cruzar com a definição de "velocidade de escape" informo-os que é a velocidade necessária para vencer a atracção gravítica de um corpo.

Assim, abri os olhos o mais que pude para localizar com toda a minha acuidade visual uma esplanada que fosse aprazível de ser pontapeada e para minha extrema alegria encontrei uma já ali nas proximidades do meu ser. Quase que pulei que nem um canibal. Aproximei-me da esplanada e atravessei a porta de entrada do café. Teve este atravessamento o efeito de me fazer surgir no interior desse mesmo estabelecimento, significando isto que me fiz movimentar do espaço exterior para o do interior. Seguiu-se depois um encolhimento da distância que me separava do balcão, chegado ao qual disse ao empregado que quero falar com o gerente, prestando-se esta frase ao desabrochar da pergunta posso saber qual é o assunto, que deu origem a um não. O homem foi chamar o gerente e o gerente veio até mim acompanhado por uma esferográfica, dizendo-me boa tarde. Perguntei-lhe se podia pontapear violentamente as mesas e as cadeiras da esplanada e o gerente respondeu que sim. E lá fui eu até à esplanada.

Como facilmente se poderá imaginar, a acção que ali desenvolvi permitiu um desarranjo na arrumação ideal da dita esplanada. Mas antes que tal desordem se apoderasse do espaço em que desenvolvi a performance, todas as mesas e cadeiras que pontapeei com um pontapé (para meu orgulho) tão violento que nem a violência lá chega, fizeram-se regressar ao solo. Questionei-me durante uns momentos sobre a razão que estaria na origem desse vil acto por parte da atmosfera e continuei a questionar-me durante mais uns momentos até que conclui que os objectos ansiavam regressar porque a órbita da Terra está pejada de detritos. E tendo eu como objectivo enviar as mesas e as cadeiras para Marte (livrando a Terra de objectos pré-poluidores) fiquei insapiente quanto à maneira de remover entulho do nosso planeta fazendo-os atravessar a órbita deste.

O voto

Há obras nas estradas o que quer dizer que as eleições estão próximas. A contagem decrescente começará quando se iniciarem as inaugurações. Pergunto-vos: quantos de vós acreditam que o próximo Primeiro Ministro se chama Sebastião?

Ora vamos lá ver aqui uma coisa. O "X" que colocamos no quadrado serve para dizer que "É neste político que eu acredito, portanto é nele que eu voto". Por outras palavras, o voto é algo que respeita o "sim" e o "não" ou o "1" e o "0". Ou seja, é uma pergunta que funciona segundo o princípio do "ligado e do desligado". O que é o mesmo que dizer "Eu acredito neste político portanto vou ligá-lo". Já ouvi por aí pessoas comentarem que "Votei neste porque é o menos mau". Hummmmmmm... Let me think... Havia uma lista de maus e o aprovado foi aquele que de todos os maus é o menos pior? Se tivermos dez batatas que não estão em condições de satisfazerem os nossos apetites devido à falta de condições comestíveis que cada uma apresenta, escolhemos de todas a que menos mal estiver, cortamos-lhe o bocado que estiver podre, deitamos fora esse mesmo bocado juntamente com as outras nove e podemos deglutir convenientemente o bocado sobrado da batata. Como se faz isto com um candidato a ministro?

E que tal se fizermos uma alteração nos boletins de voto? Em vez de se colocar o habitual quadrado para o "X" à frente do logotipo e do nome do partido ou, em alternativa, a foto e o nome do candidato, se passasse a colocar o logotipo e o nome do partido (ou o candidato e a sua foto) seguido da pergunta: "Você acredita neste?". E à frente dois quadradinhos, um para o "sim" e outro para o "não". Quem acredita neste coloca o "X" no "sim", quem não acredita coloca-o no "não". Depois seria apenas necessário contar a quantidade (a qualidade) de votos "sim" que cada um teve.

Outra alteração seria cada um dos votantes habituais estar-se completamente a borrifar para as eleições e ficar em casa ou noutro local a conversar sobre assuntos importantes.

Faço notar que este texto está baseado num sistema um pouco estranho no qual cada pessoa sapiente ou nem por isso tem igualmente direito a um voto.

Mas ide lá votar